domingo, 4 de janeiro de 2009

O caminho


Estava na porta de saída, mas ainda via o caminho da entrada.

As pedras cintilavam agora mais que nos outros dias. Era o sol que brilhava mais naquela noite. Era a lua.
Soltei os dados que escorreram até os meus pés.

Seis. Quatro. Três. Um. A arte.

Lembrei de tudo até ali e pensei em voltar, mas o caminho era abismo e o retorno incerto. Olhei novamente para a saída e vi dois arbustos, um banco e tochas. Era o sonho!

Lembrei o que devia fazer, mas não queria fazer...

Olhei mais uma vez para trás e vi o cachorro com olhos brilhantes. Eram as pedras do meu caminho. Entendi que não podia mais... Segui!

No banco ele me esperava com paciência.

Há séculos estava ali. Por séculos ficaria.

Ele não me olhou. Já sabia o que eu diria. Apenas esperou.

Ainda estava assustada e não sabia se devia perguntar. Tomei coragem e falei, quase num sussurro noturno:

- Preciso saber o seu nome.
- Você já sabe.
- Não consigo lembrar.
- Então não é hora.
- Por favor... não posso voltar.
- Então siga.
- Como vou saber se este é o caminho?
- Parando de perguntar...

As tochas ardiam em meu rosto e não era mais possível ficar.

Peguei novamente os dados. Arrumei todas as cartas e lancei pela última vez.

- Segue o teu caminho, ele disse. Não importa para onde ele vai te levar... O caminho é a história e ela sempre acaba num abismo. Não importa o que você espera encontrar. A única busca é o caminhar...


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