Descobri que eu só consigo escrever em momentos de euforia. E os meus momentos de euforia (infelizmente) não duram tanto... Parece que eu só me sinto à vontade com as palavras quando os sentimentos não conseguem mais caber em mim e eu preciso vomitá-los para continuar vivendo. Daí, não são meus dedos que digitam palavras, nem minha mente que articula orações. Todo o meu corpo vibra junto, escreve junto, pulsa... Como posso explicar o que sinto agora? Tenho sido consumida por uma euforia que eu senti poucas vezes antes. Desde que eu acordo até a hora de dormir eu sinto uma euforia que me impele a buscar o que a alimenta. Meu corpo treme... Eu choro, rio, falo sozinha, escrevo e não paro de buscar o que me inebria. Meu vício... uma prisão... a liberdade.
Não tenho sentido vontade de sair de casa. Aqui mesmo me basto. Com uma garrafa de vinho, as músicas e o “estímulo para minhas retinas”. Minha alma pulsa...
Acho que novamente algo está se quebrando. Sinto meu espírito rachar... ao meio. Sinto tudo rangendo aqui dentro. Como porta velha quando é aberta. Como o casulo de onde nascem as borboletas... “para viver pouco tempo...”
Será que esse é o fim?
Todo (re)começo traz em si a semente do fim!
Eu vivo começando... Nem sei se chego a terminar! Mas, sempre começo!
Comecei a aprender a dirigir, a falar francês, inglês, a tocar violão, fazer teatro, cinema... comecei... Eu sempre começo!
Terminei de assistir Guerra e Paz... Demorou uma eternidade... mas terminei! O que é de ser passivo me encanta e (geralmente) eu termino. Por isso vejo filmes... muitos filmes!
Ser protagonista custa caro! Expor-se custa a vida. A vida perdida na percepção de outras pessoas. A vida escondida que se quer revelada. Nunca quis perder a vida! Por isso não protagonizo.... agonizo...
Volto novamente ao tema de sempre em minha vida: contradições e fuga... Será que algum dia escreverei sobre algo diferente disso?
Um dia me disseram que eu era muito autobiográfica... Isso para mim soava mal... Parecia que eu não tinha olhos para nada além de mim. Longe de achar feio o que não é espelho, como diria Caetano. Mas o espelho me trazia as imagens mais interessantes para serem mostradas. Mas, eu pensava que seria mais “útil” falar sobre as coisas que acontecem por aí... política, cultura, natureza, pessoas, etc, etc, etc... Passei tanto tempo tentando escrever sensivelmente sobre essas coisas e, para meu espanto, até quando pensava em algo além de mim, era de mim que eu falava... Era o mundo em mim que eu questionava, eram as minhas contradições, eram as minhas esperanças e os meus medos... era eu!
Hoje não quero mais fazer nada que seja “útil”... tenho tendido para o fútil e aceito-me autobiográfica, ainda que sinta que o mundo em mim é tão parecido com outros mundos em si, que me redimo de ser egocêntrica.
O meu mundo tem girado... a vida tem rodado e tudo está em movimento...