sábado, 24 de outubro de 2009

Há um filme...

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...que me marcou muito.

Como qualquer pessoa melodramática, eu sou feita dos retalhos das histórias contadas por outros que se mesclam na construção da minha própria história. Sou uma amálgama dos filmes que vi, dos livros que li, das músicas que escutei. Sou um híbrido de tudo o que o já falaram com o que eu não consigo dizer.

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Acho que comecei a gostar de cinema quando percebi o quanto essa linguagem podia me tocar tão profundamente e o quanto ela era essencial para despertar em mim tantas emoções.
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Quando vi Uma vida iluminada senti-me incrivelmente tocada. É claro que eu já me senti assim tantas e tantas e tantas vezes... Mas a delicadeza na construção deste roteiro me cativou de forma especial.
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Eu enxergo o mundo por lentes mais escuras, o que me dá uma perspectiva mais sombria de tudo. Poderia dizer que não sou do tipo “otimista”, mas sou sensível a coisas belas (e sujas! como diriam os adeptos do cine clandestino europeu), talvez como conseqüência da minha própria identidade clandestina ou desterritorializada...
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E é justamente a territorialidade da identidade o que se busca no filme. De maneira tragicômica, muitas vezes bizarra, um personagem esquisito, um tanto caricato, mergulha num mundo completamente desconhecido e distante para, justamente aí, encontrar sua história.
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O cenário central do filme é a Ucrânia e o enredo poderia só tratar de temas como a guerra, nazismo, perseguição a judeus, migração e novos começos. Mas, na verdade o filme vai bem além disso. Ele fala do tempo, que não congela as influências, mas as reconstrói. Fala de tolerância entre diferentes, tão iguais em suas essências. Fala de memórias, impossíveis de serem esquecidas e histórias que precisam ser contadas. Fala de amizades. De escolhas. Fala da vida e, é claro, fala de batatas...
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Numa das cenas finais do filme, quando o personagem principal encontra o que estava buscando recebe de presente uma caixa de coisinhas colecionadas por uma pessoa importante para a história dele. Nesta caixa havia um bilhete escrito “Se acaso...”. A irmã da dona da caixa pergunta se ele sabe o que isso significa e ele responde que não. Mas depois fala que ela podia querer dizer que “Se acaso alguém me procurar... Se acaso alguém um dia quiser saber minha história...”. Era ali, na caixinha, que estava a essência daquela pessoa, era ali que ela estava.
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Nunca ouvi nada mais profundo do que aquele “Se acaso...”.
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Não acho que exista coisa mais bela e reveladora que a simplicidade daquele momento.
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É isso que faz uma vida ser iluminada!

Veja filmes!
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Uma Vida Iluminada
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Título original: Everything is Illuminated
País: Estados Unidos
Ano: 2005
Diretor: Liev Schreiber
Roteiro: Liev Schreiber, adptação da obra “Tudo se ilumina” de Jonathan Safran Foer
Elenco: Eugene Hutz - Alex, Elijah Wood - Jonathan Safran Foer, Jonathan Safran Foer, entre outros...
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quarto


Eu tenho um quarto em minha casa dedicado ao meu passado.
Lá estão as memórias empoeiradas e as recordações abandonadas da minha vida.
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Ele é um quarto sombrio, habitado por seres invisíveis que se multiplicam a cada instante. Eu sempre abro esse quarto, para permitir que a luz entre e ilumine os restos de vida que deixei por lá. Minha esperança sempre é conservar esse lugar limpo e agradável, mas, por mais que eu tente, ele continua sujo e empoeirado. Eu teria que passar a vida toda só arrumando o passado pra sentir que ele está limpo! Mas, não tenho paciência pra tanto!

Minha relação com o quarto se resume em arrumar e desarrumar coisas velhas. Mexer e remexer as lembranças. Já pensei muitas vezes em jogar tudo fora, queimar, doar... Já pensei em simplesmente esquecer.
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Mas isso me assusta!

Às vezes penso que tudo o que existe no quarto faz parte do quebra-cabeça que me forma, aquilo tudo sou eu. Esquecer seria me perder, jogar-me fora e desconsiderar quem sou.

Hoje decidi arrumar o quarto.
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Tenho que pensar mil vezes antes de fazer isso, porque eu tenho alergia à poeira do quarto e sempre fico doente depois de deixar tudo em ordem.
Que ironia... Será que meu passado me faz tão mal assim?
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